“Está na nuvem, então está seguro” — a lacuna de backup do 365 e do Workspace
É a frase que eu mais ouço quando pergunto sobre backup. E é a que menos se sustenta.
A Microsoft e o Google garantem que o serviço esteja no ar. Replicado entre datacenters, resiliente a falha de infraestrutura, com disponibilidade altíssima. Isso eles cumprem, e cumprem muito bem — provavelmente melhor do que qualquer servidor que a sua empresa manteria sozinha.
O que eles não garantem é a recuperação dos seus dados contra:
- exclusão acidental por um usuário;
- exclusão maliciosa por alguém de dentro;
- ransomware que cifra os arquivos sincronizados no OneDrive ou no Drive;
- erro de sincronização que apaga em cascata;
- conta comprometida que limpa o histórico;
- necessidade de restaurar algo além do prazo da lixeira.
E a lixeira não é backup. Ela tem prazo, é esvaziável, e some junto com a conta se a conta for excluída.
Isso tem nome: modelo de responsabilidade compartilhada
Não é letra miúda nem pegadinha. Está escrito, de forma clara, nos termos de serviço que ninguém lê. O provedor cuida da infraestrutura; o cliente cuida dos dados que coloca nela.
A divisão é razoável quando se entende. O problema é que quase toda empresa que migrou para a nuvem acredita no contrário — e só descobre no dia em que precisa restaurar.
O caso mais comum não é ataque. É alguém que excluiu a pasta errada, ou um colaborador que saiu, teve a conta removida pelo RH para economizar licença, e levou junto o histórico de e-mails que ninguém sabia que era o único registro de uma negociação.
Por que a sincronização piora a situação
Há uma confusão que vale desfazer, porque ela é a raiz do problema.
Sincronizar não é copiar. O OneDrive e o Google Drive replicam o estado atual dos arquivos. Se um arquivo é apagado na máquina, ele é apagado na nuvem. Se um ransomware cifra mil arquivos no computador de alguém, a sincronização leva as mil versões cifradas para a nuvem com eficiência exemplar.
Um backup de verdade guarda versões ao longo do tempo, num lugar que não acompanha automaticamente o que aconteceu na origem. É essa independência que permite voltar ao estado de antes do problema.
Os nove critérios — confira com o seu fornecedor de TI
Esta é a lista que eu uso. Dá para percorrer em dez minutos com quem cuida da sua TI, e cada “não” é uma conversa que vale a pena ter.
- Cobre servidores, estações e nuvem. Muita rotina de backup foi desenhada antes da migração e nunca foi revista.
- Tem cópia imutável ou desconectada. Uma cópia que o administrador comprometido consegue apagar não protege contra ransomware.
- Tem cópia fora do local. Em outra região ou em outro provedor — não no mesmo armário do servidor.
- Usa credencial separada da de administrador. Se a mesma senha dá acesso ao ambiente e ao backup, é um alvo só.
- Tem retenção definida por escrito. Quantos dias, quantas versões. “O padrão da ferramenta” não é resposta.
- Tem alerta automático de falha. Backup que falha em silêncio é pior que backup nenhum, porque gera confiança falsa.
- Tem teste de restauração trimestral documentado. Este é o critério que mais reprova. Quase ninguém testa.
- Tem tempo de restauração medido. Saber que existe cópia não basta; é preciso saber se ela volta em duas horas ou em três dias.
- Tem procedimento escrito que não dependa de uma pessoa só. Se a restauração mora na cabeça de um técnico, ela não existe nas férias dele.
Se você é de uma área que não é TI e quer fazer uma pergunta só, faça esta: “quando foi a última vez que a gente restaurou alguma coisa de verdade, e quanto tempo levou?” A resposta diz mais que qualquer relatório.
A pergunta que quase ninguém responde de primeira
Os e-mails e os arquivos da sua empresa no 365 ou no Workspace estão incluídos no backup de vocês?
Se a resposta for “acho que sim”, é não.
Onde isso se encaixa num diagnóstico
Backup não é a mesma coisa que exposição à internet, e eu não vendo backup. Mas os dois temas se encontram num ponto prático: a avaliação de exposição mostra por onde um incidente pode entrar, e a conversa sobre backup mostra o que acontece depois que ele entra.
Por isso esses nove critérios também são o meu critério de recusa. Quando uma empresa não tem backup testado, eu digo com todas as letras que o diagnóstico não é a prioridade dela naquele momento — resolver o backup é. O diagnóstico continua fazendo sentido depois, e continuará disponível.
Quer conferir o backup da sua empresa?
Me chame e eu passo a lista dos nove critérios em formato de checklist, para você percorrer com o seu fornecedor de TI. Sem custo e sem compromisso.
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